Artigo - Ditadura Nunca Mais

É totalmente descabida a determinação do presidente Jair Bolsonaro para que o Ministério da Defesa promova “as comemorações devidas” do aniversário do golpe militar que, em 31 de março de 1964, derrubou o presidente constitucional João Goulart, inaugurando a ditadura que infortunou o país por 21 anos.

Tal determinação é mais uma demonstração de que o chefe de governo carece de um programa político capaz de unir o país e que ainda não abandonou a campanha eleitoral.

Seu apego às bandeiras retrógadas da ditadura, da tortura, do ódio, da violência, do desprezo pelos direitos humanos e demais temas caros à democracia extrapola todos os limites da civilidade, colabora com a paralisia verificada no governo federal, submete o país a enormes constrangimentos no cenário internacional o que, certamente, terá influências nefastas na recuperação da economia e do emprego.

Por fim, conclamamos as forças democráticas a repudiarem mais este fato negativo pautado pelo presidente Bolsonaro. Consideramos positivas as iniciativas da Defensoria e do Ministério Público Federal de buscar inviabilizar judicialmente a determinação presidencial de comemoração do golpe militar de 1964.

Frente às carências existentes no país e as restrições orçamentárias da União, chega a ser criminosa a iniciativa de se comemorar, com fundos públicos, fatos de um passado já enterrado pela maioria democrática do nosso povo. Ditadura nunca mais!


Miguel Torres
presidente interino da Força Sindical e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes e da CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos)