Artigo - Três notícias, três exemplos

Evitemos o parquinho com roda gigante, montanha russa e túnel dos horrores e caminhemos pela pedregosa estrada do dia a dia.

E aí nos deparamos com exemplos de luta persistente e de resistência efetiva do movimento sindical ainda que não aureolados por emoções fortes.

Refiro-me aos resultados obtidos pelos bancários de São Paulo nas 15 duras negociações do sindicato com os banqueiros, com aumento real, reajuste dos benefícios e manutenção das cláusulas sociais na convenção coletiva que abrange dois anos; durante o período, em muitas agências, a mobilização se fez efetiva confirmando uma verdadeira campanha salarial exitosa da categoria.

Destaco também a vitória dos 50 metalúrgicos da Omeco (empresa do setor de máquinas) e do sindicato da Grande Curitiba, em campanha salarial, que após 20 dias de greve conquistaram acordo de data-base, PLR de R$ 10 mil e estabilidade até dezembro, conseguindo negociar com a empresa que demonstrava intransigência.

E não posso deixar de valorizar o exemplo dos frentistas de São Paulo e de todo o Brasil que, representados por suas entidades sindicais, conseguiram abrir negociações com o deputado Kim Kataguiri.

Vale uma explicação. Na Câmara Federal durante a discussão da medida provisória 1.069 que libera a venda de etanol nos postos, o deputado apresentou uma emenda que elimina a necessidade dos frentistas na operação das bombas. Esta medida, na contramão da urgente e necessária manutenção de empregos, fere de morte a categoria eliminando 500 mil postos de trabalho.

No dia 12 de setembro, na Avenida Paulista, aonde o deputado copatrocinava uma manifestação política de oposição a Bolsonaro, os dirigentes sindicais frentistas, com faixas e o presidente da Força Sindical, com a palavra no carro de som, conclamaram o deputado a mudar de posição e exigiram abertura de negociações com ele, para tanto, o que já começou a ocorrer na terça-feira, em Brasília.

Mesmo não tendo ainda alcançado o objetivo, a manifestação dos dirigentes sindicais dramatiza a preocupação dos frentistas e sensibiliza a mídia grande, a sociedade e o deputado.


João Guilherme Vargas Netto
É membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo