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Artigo - Porque cruzamos os braços

Já adquiri o primeiro volume (dos cinco programados) da coleção “Porque cruzamos os braços”, editado pelo Dieese e pela Cortez Editora.

São depoimentos de dirigentes sindicais sobre as greves no Brasil de 1968 aos dias atuais, com 12 entrevistas, das 60 que compõem o conjunto.

Neste “Livro 1” foram ouvidos: Ênio Seabra, José Ibrahin (já falecido), João Paulo Pires Vasconcelos, José Francisco da Silva, Luiz Inácio Lula da Silva, Arnaldo Gonçalves, Célia Regina Costa, Gilson Menezes, Eunice Cabral, Luiz Soares Dulci, Luiz Gushiken (já falecido) e Edmilson Felipe Neri.

A Introdução aos textos contém a lista completa dos 60 entrevistados, cujas escolhas são indiscutíveis e garante o antegozo das publicações a serem feitas, já que “os dirigentes sindicais têm uma visão privilegiada sobre os movimentos grevistas”.

Mas, as entrevistas editadas com a organização de Carlindo Rodrigues de Oliveira e Eduardo Garuti Noronha vão além disso; referem os elementos da formação dos dirigentes, suas experiências e o que têm a nos ensinar sobre greves e tudo o mais da vida sindical.

É uma pena que eu não tenha podido, com antecipação, dar alguma opinião sobre os dirigentes que mereciam ser lembrados. Se a lista dos 60 nomes pudesse ser aumentada teria sugerido acrescentar Sergio Butka (metalúrgicos do Paraná), Maria Izabel e Lourdes Gutierres (auditoras fiscais do RJ e de SP), Osvaldo Rossato (telefônicos de São Paulo, com saudade do Geraldo Vilhena, já falecido), Geraldino dos Santos e Miguel Torres (metalúrgicos de São Paulo, com saudade do Joaquinzão, do Newton Cândido e do Walter Schiavon, já falecidos) e Douglas Martins de Souza (construção civil de Santos).

Todos estes teriam muito a dizer sobre greves porque as dirigiram, e grandes, e alguns ainda as dirigem.

Mas, falta mesmo, para mim, foi a imperdoável ausência na lista dos 60, do eletricitário Hugo Perez, que além da experiência grevista e organizacional era o secretário geral do Dieese no episódio narrado na página 16 do livro; lacuna que é quase um buraco negro na obra.

Se pudesse, ainda, fazer mais sugestões recomendaria uma série sobre os que, não sendo dirigentes, atuaram em greves inolvidáveis: Serjão, Franzin, Tarcísio, dr. Iracy (do Paraná), Pavão, Frederico Pessoa, dr. Stein, dr. Arouca, Aloisio Azevedo e Walter Barelli (que fez o prefácio do livro).

João Guilherme Vargas Netto É membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo