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Artigo - A repressão na Cosipa

Além do sentimento de indignação causa perplexidade o uso brutal e exagerado da força, pela polícia militar de São Paulo, a serviço (polícia mineira) da Cosipa para reprimir os trabalhadores e dirigentes sindicais que manifestavam na portaria da empresa, em Cubatão, na madrugada da quarta-feira, dia 11/11.

Há tempos vem se desenvolvendo na Baixada Santista um movimento que agrega meia centena de entidades sindicais que, a exemplo da experiência da Federação Nacional dos Engenheiros, tem o nome de Cresce Baixada. Sua reivindicação fundamental é a retomada do crescimento econômico e, portanto, insurge-se contra a demissão de tabalhadores e de quaisquer profissionais. Os prefeitos das principais cidades têm sido sensíveis ao movimento e até mesmo o vice governador paulista, Márcio França, que é da Baixada, apóia o movimento.

Nada mais natural que, ao tomarem conhecimento da intenção da Usiminas, premida por dificuldades internas e internacionais em seus negócios com o aço, de demitir quatro mil trabalhdores e de até mesmo fechar a planta industrial da Cosipa, o Cresce Baixada tenha se mobilizado contra tal tragédia, local, regional e nacional.

Reuniões preparatórias foram realizadas e marcou-se o 11 de novembro como uma jornada de mobilização; a prefeita de Cubatão, por exemplo, decretou para este dia  ponto facultativo. Mesmo tendo sido estupidamente reprimida no começo do dia, a manifestação prosseguiu durante a jornada e de tarde milhares de trabalhadores ocuparam o Paço Municipal.

A brutal e estúpida repressão policial (que deve macular, pelo seus efeitos, o próprio governador Geraldo Alckmin às voltas já com a repressão à estudantada) foi manipulada pela empresa sob a desculpa de reprimir o sindicato dos metalúrgicos, considerado por ela como “instransigente”. Tudo foi, no entanto, a bom juízo, destituído de racionalidade.

Se a empresa, com seu anúncio aterrorizante pretendia criar comoção sobre suas dificuldades e sensibilizar os poderes públicos visando a diminuição do ICMS ou o aumento da sobretaxa sobre a importação do aço estrangeiro deveria, manda a razão, procurar reforçar o próprio movimento Cresce Baixada, convencê-lo da justeza de tais pretensões e evitar o terrorismo.

Em 2009, quando era presidente do Grupo Usiminas Marco Antonio Castello Branco e a produção siderúrgica nacional estava às voltas com a revisão das tarifas de importação do aço, ele teve a sensibilidade e a habilidade de granjear o apoio do movimento sindical e depois, em carta pessoal, agradecer o empenho vitorioso, afirmando que “este episódio demonstrou que capital e trabalho juntos podem colaborar na construção de um país melhor”.

Muito diferente da porradaria da quarta-feira!

João Guilherme Vargas Netto É membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo